Bóris
Anjo de 4 patas
26 de Ago, 2024
Ele era baiano, não gostava de se cobrir, não gostava de comida pastosa, não gostava de escuro, nem de brinquedos fofos (era um exímio caçador, o brinquedo dele era um lagarto de borracha), era forte e corajoso e tinha os olhos de Oxumaré.
Adorava biscoito de polvilho e tudo que fosse crocante. Bebia água com a patinha, sachê só se fosse de atum, comia a ração devagar e bem mastigado (era um lord). As brincadeiras de mãozinha comigo começava quando eu fazia voizinha para ele, com músicas criadas na hora.

Bóris escolheu nossa família pra chamar de sua. Chegou para nós com 3 anos e me fez conhecer o amor por felinos. Sempre juntos da sua fiel escudeira (París)...ele a amava muuuito. Quando Bóris perdeu seus primeiros tutores, foi a París quem o ajudou nas ruas. Até que ele aparecesse, com ela, lá em casa. Eu os amei naquele momento e nunca mais os deixei desamparados.
Ele subia nos coqueiros, comia cigarra, caçava cobras e desafiava escorpiões. Levei meses para pegar ele no colo...acho que ele não sabia o que era isso... Aos poucos aprendeu receber carinho, aprendeu ronronar e confiar em mim. E assim, se tornou o meu menino.

Eu nem sei o que será da minha vida sem ele. Nem sei o será da mana dele sem corridas pela casa, miados de madrugada, abraços que ele adorava dar. Não tenho mais em quem fazer massagem corporal. Minhas roupas terão menos pêlos, nunca mais os biscoitos de polvilho terão sabor, minhas mãos não terão mais marcas de suas mordidas, meus pés não terão seu peso quando for dormir, minha varanda não terá mais ele tomando sol, nem as janelas com ele curiando os vizinhos, as caixas de papelão ficarão vazias.

Meu amor eu espero que o céu tenha muita comida, bichos exóticos, coqueiros para vc subir novamente e um gramado bem lindo para vc correr livre de novo.
Eu te amei ontem, amo hoje e amarei para sempre.

Tchau "ticalacatuca", até um dia.